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Mostrando postagens de novembro, 2025

A Ferida que Não Tem Nome

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  Há dores que não sangram, mas pesam mais que chumbo. Feridas que não se mostram ao espelho, nem ao médico, nem ao amigo que pergunta, com sincero cuidado: “Tudo bem?” E a gente responde, quase sem pensar: “Tudo.” Não é mentira. É apenas o que sobrou da verdade depois que o silêncio a mastigou por anos. Algumas coisas nos machucam tanto que, para sobreviver, precisamos fingir que não existem. Não por orgulho, não por fraqueza — mas porque, às vezes, nomear a dor é dar a ela permissão para ocupar a sala inteira. E a gente já está morando no corredor, de ponta-cabeça, segurando o teto com as unhas. Há feridas que nem sabemos que carregamos. Elas vivem lá no porão do corpo — entre memória e músculo, entre o que foi dito e o que foi engolido. Um elogio forçado ao chefe que humilhou. Um “não tem problema” dito com um sorriso enquanto o peito se fecha como porta de cofre. A risada fácil na festa, depois da ligação que não veio. O silêncio após o “te amo” que não foi correspon...

A Doença do Descanso Proibido

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  Há quem diga que o grande problema do mundo moderno é a correria. Mentira. A correria é apenas o sintoma visível. O mal verdadeiro — silencioso, crônico e profundamente entranhado — é a incapacidade de relaxar. Não é que não queiramos descansar. Queremos, e queremos muito — com uma fome quase infantil pelo silêncio, pelo sofá, pela ausência de notificações, pelo tempo que não cobra nada. Mas, quando ele finalmente chega, quando o fim de semana se abre diante de nós como um campo limpo e sem obstáculos, algo se quebra por dentro. É como se tivéssemos esquecido a senha de acesso à paz. Sentamos no sofá; o corpo obedece, mas a mente não. Ela permanece de pé — na fila do supermercado que ainda não fomos, no e-mail mal respondido de ontem, no “será que paguei a conta?”, no “preciso planejar as férias antes que as férias cheguem”. O corpo tenta repousar; a mente protesta. E, como ela comanda a orquestra, logo convence o corpo de que também não pode parar. Até o lazer virou obrigaçã...