Amores de Papel
Desde menino, aprendi a amar à distância. Não por escolha, mas por instinto de sobrevivência. Enquanto meus colegas corriam atrás de namoros efusivos, beijos roubados no pátio e juras trocadas em bilhetinhos amassados, eu preferia observar — calado, distante, seguro. Meu coração batia mais forte não por quem estava ao meu lado, mas por quem jamais estaria. Eram sempre os impossíveis: a menina que mal sabia meu nome, o colega que vivia cercado de admiradores, a pessoa que brilhava tanto que meus olhos doíam só de olhar. Escolhia-os com precisão cirúrgica, como se meu inconsciente soubesse que, quanto mais inalcançável o amor, menos chance eu teria de ser rejeitado. Afinal, se nunca me declarasse, nunca ouviria um “não”. E, na minha lógica torta de adolescente inseguro, isso era vitória. O amor platônico virou meu refúgio. Nele, eu podia idealizar à vontade: construía castelos com sorrisos breves, poemas com olhares acidentais, romances inteiros com um “oi” dito ao passar no corredor. Er...